HAROLDO MEU PATINHO - DOUTOR SCUDUFUM















Quando eu era moleque, costumava ficar parte das férias na casa da Dona Jandira, amiga da minha vó. Estava lá quando dei de cara com um pato branco no quintal que a Dona Jandira ganhara de um conhecido. Dei um nome pro bichinho: Haroldo. Dona Jandira vivia me advertindo: “não se apegue ao bicho!” Mas, não tinha jeito, estava todo dia com ele: fazia carinho, dava comida, brincava com ele, essas coisas de menino fascinado por um bicho que nunca tinha visto antes. Certo dia, depois de ter acompanhado minha avó ao mercado, corri para o quintal da casa da Dona Jandira. Cadê o Haroldo?! Voltei para procurá-lo na cozinha e vi a Dona Jandira com uns troços esquisitos na mão.

-Dona Jandira, o que é isso?
-As tripas do Haroldo.
-Posso brincar com elas?
-Pode, mas lave as mãos depois.

As tripas do Haroldo eram mais divertidas do que ele próprio. Pareciam aquelas gelecas de potinho. Tinha uma que parecia um elástico, acho que eram os intestinos. Mas criança é bicho burro mesmo! Brincava com as tripas dele, mas achava que o Haroldo, de verdade, estava escondido em algum lugar. Depois, Dona Jandira explicou o que houve e eu abri o berreiro.

-Eu quero o Haroldo de volta!
-Ih, agora ele já tá cozinhando na panela.
-Posso ver?

Dona Jandira abriu a panela e vi o pobre coitado nadando na água quente. Parecia calmo. Adeus, Haroldo, meu patinho.

(A VIDA É UM CIRCO - DOUTOR SCUDUFUM - Z!EDITORA - CRÔNICAS HILÁRIAS - 7,00)

0 Response to "HAROLDO MEU PATINHO - DOUTOR SCUDUFUM"

Powered by Blogger